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3.23.2015

Gestão de eventos na administração pública do turismo

Por: Aristides Faria

Ao longo dos últimos anos, sobretudo a partir de 2011, comecei a me especializar em temas relacionados com a administração pública. Naquele ano assumi o cargo de Coordenador de Turismo e Eventos da Secretaria de Cultura e Turismo (SECTUR) da Estância Balneária de Praia Grande, cidade localizada no litoral paulista.

Naquela época tudo era novidade e eu tive a grata oportunidade de aprender muito e trabalhar com profissionais expoentes em diversas áreas da gestão cultural e do turismo. Foi realmente muito enriquecedor!

Uma das experiências mais bacanas dentro do período em que liderei esse importante departamento foi a organização do Festejo de Iemanjá, que é tido como um dos maiores eventos religiosos do país. Compartilho a seguir alguns dados sobre o processo de reformatação do projeto e implementação de uma série de inovações que desenvolvi com a equipe da SECTUR.

Um breve histórico

O evento originou-se em 1969, quando o então Prefeito Municipal, Dorivaldo Loria Júnior, e o presidente do Conselho Municipal de Turismo, José Moura, em conjunto com diversas Federações, idealizaram o evento. É interessante observar que o município obteve sua emancipação em 1967, desse modo, o Festejo possui estreita relação com a história da cidade (TOSCHI, 2008).

Esse evento ocorre tradicionalmente nas duas primeiras semanas do mês de dezembro, mas o período de planejamento e organização do Festejo inicia-se antes disso, ainda em julho, conforme notícias veiculadas pela imprensa oficial.

Contextualização

No município de Praia Grande há uma estátua de 8 metros de altura erguida em homenagem a Iemanjá. O monumento, construído em data incerta em meados da década de 1960, é ladeado por 16 coqueiros que representam os orixás (deuses) da Umbanda e localiza-se na orla do bairro Mirim.

Os participantes do Festejo são organizados ao longo de um trecho de aproximadamente seis quilômetros da orla da cidade. Há período de inscrições e recolhimento de taxas a municipalidade. Esses participantes são segmentados em dois grupos: “Federados”, que são agremiações vinculadas a grandes entidades do setor; e os “Não federados”, indivíduos, grupos particulares ou entidades independentes, sem vínculos institucionais. Em relação direta ao evento, a diferença entre eles é que os grupos Federados são corealizadores do evento, assim, participam da tomada de decisões junto com o poder público local.

Apresenta-se a seguir dados estatísticos sobre o projeto de realização do referido evento. São considerados índices sobre o perfil do público visitante, o meio de hospedagem utilizado, o meio de transporte utilizado e o impacto gerado na economia local, entre outros.

Inovações na gestão pública municipal do turismo

Com a implantação da informatização e sistematização da gestão evento foi possível aferir que 1,58% do total de inscritos correspondem a grupos vinculados a Federações, enquanto 42% são de grupos independentes, não federados.

Esses índices correspondem aos dois períodos do Festejo de Iemanjá 2011 (dois finais de semana subsequentes). Ao todo, foram registradas 837 Agremiações, divididas em 27 Federações, sendo estas oriundas de 40 municípios diferentes. Em média, as Federações reúnem 31 agremiações com atuação, sobretudo, no estado de São Paulo.

A nova sistemática possibilitou, ainda, determinar a origem desses grupos: entre os Não federados, as principais cidades de origem são: São Paulo (41); Santana do Parnaíba (7) e Bragança Paulista (4). Já entre as agremiações Federadas, as principais são: São Paulo (72); Carapicuíba (11); Guarulhos (10). Distribuídas em um universo de 26 cidades.

A Secretaria de Trânsito e Transporte elaborou, em parceria com a Coordenadoria de Turismo e Eventos, departamento subordinado a Secretaria de Cultura e Turismo, um roteiro de acessos e restrições aos veículos envolvidos na realização do Festejo. Assim, ainda que não haja cobrança de taxas sobre o acesso e trânsito de automóveis particulares, é importante antever o fluxo desses veículos no município. Para suporte ao público visitante, foi disponibilizada uma guarnição da Guarda Civil Municipal nesse posto.

Os pagamentos das taxas de inscrições foram realizados por meio de boleto bancário, que foram, também, utilizados como comprovante de inscrição no “Festejo de Iemanjá / Praia Grande 2011”. Foi montado um “Posto de Validação” no estacionamento do Paço Municipal (localizado próximo a Estátua de Iemanjá) para a verificação da quitação dessas contribuições. É importante citar que a totalidade do montante arrecadado foi revertida ao Fundo Municipal de Cultura, que tem gestão participativa sob liderança da SECTUR.

Com a força de lei, foram impostas uma série de sanções como, por exemplo, a respeito do não cumprimento do pagamento da taxa de inscrição. O não cumprimento dessa obrigação infringe a Lei nº 1.442 de 02 de setembro de 2009, que estabelece os critérios para entrada, circulação e estacionamento de ônibus e micro-ônibus. Ficam impedidos, nesse caso, de acessar, permanecer e circular dentro do perímetro do município de Praia Grande.

A experiência é muito mais ampla e nesse pequeno texto eu não seria capaz de sintetiza-la de modo completo. Então, disponibilizo meu e-mail (aristidesfaria@rhemhospitaldiade.com) para que você possa entrar em contato e solicitar o material na íntegra.

Referências

PREFEITURA MUNICIPAL (PRAIA GRANDE). Lei nº 1.442 de 02 de setembro de 2009. Disponível em: < http://www.praiagrande.sp.gov.br/Administracao/leisdecretos_view.asp?codLeis=3132 >. Acesso em: 02 de julho de 2014.
TOSCHI, C. S. Praia Grande antes da emancipação. Santos (SP): Espaço do Autor, 2008.
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