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3.16.2015

Desempenho mercadológico do Brasil no turismo: grandes negócios

Visite Santos (SP)!
Foto: Santos e Região C&VB (srcvb.com.br)
Por: Aristides Faria

Pergunto-me rotineiramente sobre os rumos do Brasil no setor de turismo, em especial, em âmbito internacional. Minhas incertezas se devem, sobretudo, por eu não ser operador nesse segmento.

No ano de 2014 tive a oportunidade de viajar para outros países para ministrar palestras em eventos científicos e essas experiências me motivaram a escrever esse texto, que é a compilação de uma série de dados acerca do desempenho mercadológico do Brasil no turismo com breve análise sobre os mesmos.

A atividade turística é responsável pela transferência de divisas entre as nações e, conforme dados do World Travel and Tourism Council (WTTC), em termos globais, a contribuição do setor para a composição do produto interno bruto (PIB) mundial foi de cerca de sete bilhões de dólares americanos em 2013. Esse montante é composto por investimentos, pela cadeia de suprimentos e impactos induzidos, indiretos do setor, o que representa 9,5% do total das riquezas produzias no planeta. Para 2014 a projeção, ainda não consolidada nesse momento, foi de um crescimento da ordem de 4,3% ou US$ 7,289 bilhões (WTTC, 2014).

A atividade turística gerou 100.894.000 de empregos diretos no mundo ou 3,4% do total de global. Para 2014, o WTTC projeta crescimento de cerca de 2,2% nesse índice. De acordo com a entidade, esse mercado de trabalho é composto por meios de hospedagem, agências de viagens, restaurantes, companhias aéreas, outros meios de transporte de passageiros, somando a ampla indústria do entretenimento e do lazer, mas excluindo meios virtuais de comercialização de produtos e serviços turísticos.

Para a fundamentação de meus artigos sobre competitividade tenho revisado diversos documentos publicados pelo Ministério do Turismo (MTur). Um deles é o “Estudo da demanda turística internacional (2006-2012)”, elaborado pelo Departamento de Estudos e Pesquisas da Secretaria Nacional de Políticas de Turismo (MTUR, 2013).

A partir dos dados analisados verificou-se que, em 2012, 46,80% dos entrevistados visitaram o país motivados por lazer, ante 25,30% que apontaram os negócios, eventos e convenções como motivação. Os destinos mais procurados pelos turistas motivados pelo lazer foram Rio de Janeiro (29,6%), Florianópolis (18,1%) e Foz do Iguaçu (17,3%). Já os turistas de negócios, eventos e convenções, demandaram: São Paulo (48,3%), Rio de Janeiro (23,9%) e Curitiba (4,4%).

Em relação ao turismo de negócios, eventos e convenções foi possível observar a ampla participação da cidade de São Paulo (48,3%). Alguns fatores são essenciais para a construção dessa realidade ao longo do tempo.

Um dado interessante diz respeito a nacionalidade dos turistas: os principais países emissores dos visitantes que desembarcam na cidade de São Paulo por meio do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos foram, em 2012, Estados Unidos (15,3%), seguido por Argentina (12,3%), Chile (5,6%) e Bolívia (5,2%).

Verifica-se que entre os quatro primeiros países emissores de visitantes ao Brasil que desembarcam no aeroporto internacional de São Paulo três destes têm o idioma espanhol como idioma oficial.

Um dado relevante refere-se à motivação para a viagem dos estrangeiros entrevistados, que no caso específico da cidade de São Paulo, ao contrário da média brasileira, aparece em primeiro lugar com 55,7% de participação. No caso, a motivação de lazer corresponde a 13%.

O segmento de “negócios e eventos” é representativo em relação aos demais para o mercado paulista e, em especial, para o município de São Paulo. Conforme dados da São Paulo Turismo (OBSERVATÓRIO DO TURISMO, 2013), entre os anos de 2011 e 2012, os aeroportos que servem a cidade de São Paulo registraram crescimento de 7,4% no volume total de passageiros (nacionais e internacionais). Dados do poder público local, apresentados nesse relatório, traçam perspectivas de que até 2020 o número de turistas deve chegar a 16,5 milhões.

Ao longo do ano de 2012 foram realizadas 82 feiras na cidade, que atraíram 2,2 milhões de visitantes ao município. A prefeitura local criou o programa “São Paulo: Fique mais um dia” para estimular a permanência no destino por mais tempo que o exigido pelo evento, que, em média, foi de 7,4 dias em 2012 (MTUR, 2013).

Há, ainda, outra contribuição que pode ser assinalada em relação ao turismo de negócios e eventos, que é a distribuição dos eventos ao longo do ano. Em São Paulo, conforme dados do Observatório do Turismo (2013, p. 150-160), entre todos os eventos realizados na capital paulista, destacam-se trinta e seis mais relevantes, que acontecem ao longo do ano, de acordo com o calendário oficial de eventos do município. Juntos, apenas esses trinta e seis eventos, reúnem mais de 7,5 milhões de participantes, entre residentes e visitantes nacionais e internacionais.

Torna-se relevante considerar nessa análise o relatório do Fórum Econômico Mundial sobre a competitividade global do mercado de viagens e turismo. No ranking de 2013, o Brasil ocupa a 51ª posição, devido a ligeira deterioração em alguns dos indicadores macroeconômicos, dificuldade de acesso ao financiamento, bem como a falta de progressos suficientes em alguns desafios determinam essa estabilidade em relação a 2011, quando o país ocupava a 52ª posição.

Mais precisamente, o funcionamento das instituições, as preocupações crescentes sobre a eficiência governamental, a corrupção e baixa confiança nos políticos persistem como uma fonte de incertezas. A falta de progressos na melhora da infraestrutura geral e no sistema de educação formal, uma economia fechada e a concorrência internacional rebaixam o índice de competitividade do Brasil em termos globais (WEF, 2013).

Conforme o relatório, entretanto, apesar dos desafios, o país ainda se beneficia de vantagens importantes, especialmente do tamanho do mercado interno – que mantém alta a demanda pela produção de bens duráveis – e o protagonismo regional do país no campo comercial, com destaque para a excelência de inovação e em atividades de alto valor agregado (aquelas ligadas a inovação tecnológica, por exemplo). É pertinente citar um dado externo a esse relatório.

Ao lado de Argentina e México, o Brasil é líder na solicitação de registros de patentes intelectuais globais, conforme dados do World Intellectual Property Organization (WIPO). Por outro lado, no contexto dos países componentes do “BRICS” (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o desempenho brasileiro é similar aos países componentes do grupo, com destaque apenas para a China.

A partir desse panorama sobre o desempenho do Brasil no mercado de turismo internacional torna-se possível inferir que a atividade turística, englobados os diversos setores relacionados, consolidou-se nos últimos 20 ou 30 anos como um dos mais importantes segmentos da economia internacional.

Especificamente no caso do município de São Paulo, os negócios do turismo e o turismo de negócios firmam-se ano a ano como vetores do processo de qualificação da mão de obra local e intercâmbio cultural.

Referências

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDS). (2010). Overview of Race and Hispanic Origin. Disponível em: < http://www.census.gov/prod/cen2010/briefs/c2010br-02.pdf >. Acesso em 27 de junho de 2014.

MINISTÉRIO DO TURISMO (BRASIL). (2013). Anuário Estatístico 2013: ano base 2012. Disponível em: < http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/dadosefatos/anuario/index.html >. Acesso em: 03 de julho de 2014.

MINISTÉRIO DO TURISMO (BRASIL). (2013). Estudo da demanda turística internacional (2006-2012). Disponível em: < http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/demanda_turistica/internacional/download_internacional/Demanda_Turxstica_Internacional_-_Fichas_Sinteses_-_2006-2012.pdf >. Acesso em 16 de março de 2015.

WORLD ECONOMIC FORUM (WEF). The travel & tourism competitiveness report. Genebra (Suíça), 2013.

WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION (WIPO). World Intellectual Property Indicators. Genebra (Suíça), 2013.


WORLD TRAVEL & TOURISM COUNCIL (WTTC). Travel & Tourism economic impact. Londres (Inglaterra), 2014.
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