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11.23.2009

Recomeça a "guerra por talentos" pelo mundo

Por: Stela Campos - Valor On-Line

O sol volta a brilhar depois de um ano de instabilidade financeira e os executivos olham para o novo horizonte dispostos a repensar suas carreiras e destino corporativo. Um movimento global que acontece em diversos setores da economia. Quem antes recusava ofertas de emprego com medo da crise agora está mais inclinado a arriscar a sorte em um novo trabalho. Nos bancos de investimentos, especialmente, essa disposição de mudar é alimentada novamente por propostas de salários irresistíveis e promessas de bônus milionários. "As coisas estão voltando a funcionar como antes, o que é muito bom para a nossa indústria", disse ao Valor Steve Ingham, CEO mundial da Michael Page, uma das maiores empresas globais de recrutamento de executivos, em sua recente passagem por São Paulo.

Instalada no Brasil há dez anos, a companhia de origem inglesa foi uma das pioneiras a atuar no recrutamento no segmento de média gerência. Atualmente, o grupo atua em 28 países com 142 escritórios. No ano passado, faturou 1 bilhão de libras. Há dois anos, A Michael Page lançou uma outra bandeira, a Page Personnel, especializada na seleção de profissionais mais técnicos que servem de apoio à gestão como analistas, assistentes, coordenadores e supervisores.

Este ano, o grupo inaugurou o segundo escritório da Page Personnel no Rio de Janeiro, o primeiro funciona em São Paulo desde 2007. Também foram abertos novos escritórios na Austrália (sete) e na Alemanha (quatro). "É o nosso negócio para o futuro", diz Ingham. A divisão representa 20% do faturamento do grupo. Em certos países como na França ela já é a unidade de negócio mais lucrativa. "Com esse serviço atuamos na base da pirâmide das corporações que é bem maior", explica.

Enquanto a crise financeira desmontou uma série de operações de grandes empresas de recrutamento pelo mundo, o grupo Michael Page manteve sua base intacta. "Não fechamos nenhum escritório, mesmo perdendo dinheiro, porque pensamos no longo prazo", diz Ingham. Nos países onde a operação estava funcionando há menos de três anos o impacto da turbulência econômica foi maior. Isto aconteceu na Nova Zelândia, em Dubai, na África do Sul, na Argentina, no Canadá e na Rússia. "Consideramos estas operações estratégicas por isso continuamos", diz o CEO. Em muitos países, os competidores tiveram que fechar as portas em razão da queda na procura pelos serviços de recrutamento. No Japão, o CEO conta que sua maior concorrente encerrou uma operação de dez anos. "Para nós é uma grande oportunidade pois estamos estabelecidos nesses lugares no reaquecimento do mercado", diz Ingham.
O Brasil e o Reino Unido são as operações mais lucrativas da Michael Page atualmente. O bom desempenho desses escritórios permitiu ao grupo fazer um caixa de US$ 150 milhões que na crise ajudou a equilibrar as contas e manter as operações deficitárias em outros países. Os negócios brasileiros correspondem a 7% do faturamento total do grupo. No terceiro trimestre, comparando com o anterior, a Michael Page cresceu no país 27% e a Page Personnel 17% .


Mesmo tendo conseguido manter a operação no azul, o grupo teve que reduzir o número de funcionários de 5 mil para 3, 7 mil. A maior parte é de consultores. "Nosso maior custo vem dos salários", diz o CEO. Na hora de eliminar postos, ele conta que os primeiros a deixar o grupo foram os mais jovens com até um ano de casa. "As pessoas com mais de cinco anos de companhia ficaram porque vamos precisar delas quando as coisas melhorarem", diz. Ele lembra que mesmo com o mercado ruim, os mais experientes têm condições de manter uma boa relação com os clientes e fechar negócios.

A perspectiva para 2010 segundo o CEO é boa porque a guerra por talentos está de volta. Em vários setores aquecidos como o de óleo e gás e o financeiro a briga pelos melhores recomeçou. "Esta disputa será acirrada nos próximos anos porque o crescimento da economia dependerá do trabalho de pessoas qualificadas", diz o CEO. Na crise, muitas companhias que cortaram o orçamento na área de treinamento vão pagar essa conta lá na frente. "Onde elas vão encontrar gente preparada com um mínimo de experiência daqui a três anos?", questiona Ingham. A indústria de recrutamento será beneficiada com esta situação pois as companhias recorrerão aos seus serviços para encontrar esses talentos escassos.

O movimento crescente de profissionais e organizações entre os continentes deve ampliar a área de busca dos headhunters. Talentos de países emergentes como o Brasil deverão estar cada vez mais na mira dos "caçadores de cabeças" globais. Ele ressalta, entretanto, que a mobilidade para atuar em qualquer mercado ainda é uma tendência pois a grande migração de profissionais ainda acontece para os grandes centros. Mesmo assim, ele lembra que há 20 anos um jovem londrino nem aceitaria ouvir um convite para trabalhar em Xangai. "Hoje eles estão bem mais flexíveis e abertos para atuar em outros lugares", diz. "Um engenheiro da área de petróleo certamente pode mudar da Austrália para o Rio pois ele vai querer estar onde o petróleo está". Esta disposição para mudar, diz o CEO, está também relacionada ao estilo de vida e ao grau de ambição de cada um. "Se você trabalha em um banco de investimentos e quer chegar ao topo, provavelmente, terá que atuar em mercados internacionais."

A publicidade em torno do Brasil e da América Latina, segundo Ingham, hoje é muito forte na Europa e nos Estados Unidos. Ele acredita que um executivo do mercado financeiro disposto a dar uma acelerada na carreira não deveria recusar hoje uma proposta para trabalhar aqui. "Mas este ainda é um país difícil para os estrangeiros tanto pelo idioma como pela adaptação da família", afirma.

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