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6.17.2009

Empresas não podem proibir namoro

Por: Pollyanna MeloPortal Administradores

Faz parte do rol de normas de muitas empresas a proibição formal ou informal ao namoro entre empregados. Algumas empresas chegam a demitir empregados que começam a namorar. Segundo o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa, não há amparo legal algum a essa prática, que se caracterizaria por uma ingerência das empresas na vida das pessoas.

Algumas empresas proíbem o namoro e até mesmo a permanência de parentes ou cônjuges no trabalho, mas isso é ilegal. O que as empresas podem fazer é proibir condutas inadequadas no ambiente de trabalho, tanto entre namorados como entre colegas”, explica.

Para Pessoa, é falsa a afirmação de que o namoro ou a relação afetiva entre empregados de uma mesma empresa pode afetar a produtividade dos empregados. Ele lembra uma pesquisa norte-americana sobre o tema, que aponta exatamente o inverso:
“Há alguns anos, uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que duas pessoas livres e desimpedidas, de uma mesma empresa, quando começavam um namoro, se tornavam ambas muito mais produtivas e estimuladas para o trabalho. É claro que em situações de crise da relação, quando os casais brigam ou se separam, o inverso pode acontecer. O que é importante perceber é que, em todas essas situações, estamos falando de seres humanos que têm o direito a construir relações afetivas”, assinala.
Para as empresas, as proibições ao namoro entre empregados aplicam-se de modo ainda mais intenso quando os empregados têm relação profissional direta, ou seja, são chefe e subordinado:

Uma questão muito delicada é o assédio moral ou sexual. Mas isto se dá quando um chefe tenta forçar uma relação com um subordinado usando a seu favor a relação de subordinação. Não entendo que exista qualquer tipo de assédio quando o subordinado tem interesse na relação, o que torna o relacionamento um namoro como outro qualquer. As empresas precisam compreender, ainda, que os solteiros, nos dias de hoje, têm dificuldades em encontrar relacionamentos duradouros e a maior chance disso se concretizar é justamente no trabalho, onde passam a maior parte do dia.”, assinala Pessoa.

..:: Romance & Cia ::..

Segundo Pessoa, há dois tipos de romances no trabalho que podem ter um efeito desagregador sobre as equipes: o primeiro é quando um ou uma chefe namora um ou uma subordinada. Neste caso, o chefe precisará se esforçar muito para mostrar que segue sendo imparcial, a despeito da relação.

O segundo caso é mais complexo. Ele se dá quando a equipe percebe que um determinado empregado mantém uma relação com um ou uma chefe exclusivamente por interesse de carreira, o que se torna um fator de desagregação. Em todos esses casos acredito que a intervenção direta da empresa, por meio de uma proibição formal, apenas joga a relação para a clandestinidade, o que a torna ainda mais perigosa. A melhor opção é não proibir e promover debates e workshops para tratar do tema, evidenciando seus aspectos positivos e negativos. A conversa, o debate e a transparência são sempre a melhor política”, explica.

O namoro no trabalho é muito mais comum do que se costuma imaginar. Uma pesquisa promovida pelo site Lawyers.com em 2006, nos Estados Unidos, revelou que 41% dos empregados entre 25 e 40 anos admitiam estar envolvidos em romances no escritório. No Brasil não há dados oficiais a respeito, mas estima-se que o número possa ser ainda maior nessa faixa etária.
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