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6.23.2009

Como Fazer Demissões em Massa

Por: Reggie, the Engineer (João Reginatto)

Eu sei, o título desse post é meio estranho, afinal não é o tipo de coisa que justamente a Tribo do Mouse gostaria de estar ensinando. Mas passado o período mais crítico da crise financeira mundial (será?), certamente tivemos vários exemplos sobre como se conduzem (e principalmente como NÃO se conduzem) processos de re-estruturação que envolvem demissões em massa.

Vejam bem, não estou falando aqui de demissões esporádicas, motivadas pelo baixo desempenho do funcionário, por exemplo. Muito menos de casos em que o funcionário deixa a empresa por sua conta. Estou me referindo a processos mais amplos em que as empresas, a título de redução de custos, eliminam dezenas, centenas ou milhares de empregos de uma vez só (o termo em inglês utilizado é "layoff"). Trata-se de um processo extremamente delicado, que se mal conduzido tem um impacto tremendo sobre a vida das pessoas envolvidas e sobre a imagem da empresa.

Mesmo assim, e por mais básicas que possam ser as dicas listadas abaixo, muitas empresas ainda pecam bastante nessas horas. Vejamos então as dicas sobre como fazer demissões em massa de maneira "correta":

1 - Não faça demissões em múltiplos "rounds". Essa é a dica mais básica, mas ainda assim a menos seguida. Muitas empresas fazem as contas e decidem demitir, digamos, 5% da força de trabalho. Elas esperam então o efeito positivo das demissões no caixa da empresa, que pode acabar não acontecendo. Então demitem mais 5% da força de trabalho. E assim sucessivamente. Isso cria um ambiente de enorme medo e incerteza entre os funcionários.

2 - Ao anunciar as demissões, não o faça individualmente, mas em grupo. Muitas vezes as empresas acreditam que um comunicado individual para cada funcionário é mais humano. O resultado é que cada vez que mais um funcionário volta da "guilhotina", a boataria entre aqueles que ainda não foram chamados aumenta. "Será a minha vez agora?". Totalmente desnecessário. O ideal é convocar todas as equipes envolvidas para uma reunião, explicar o que está acontecendo e somente então deixar os funcionários não-impactados sairem da sala.

3 - Seja generoso. Principalmente em momentos de crise, faça mais do que é esperado da empresa. Dê aos funcionários demitidos um pacote de saída melhor do que seria a obrigação. Ofereça-se para fornecer boas recomendações a todos os funcionários impactados. É a imagem da empresa que está em risco nesse ponto.

4 - Não faça o processo arrastar-se mais do que o necessário. O melhor é conduzir esses processos no final do dia, no final da semana, e depois que o comunicado foi feito, deixar os funcionários livres para irem embora. Dê o aviso com a antecedência exigida por lei, mas não obrigue os funcionários a cumprir tarefas muito além da tradicional transferência de conhecimento. Não ofereça obstáculos a quem quiser sair antes do prazo.

5 - Mantenha os que ficam focados. Imediatamente após as demissões, lembre a todos aqueles que ficaram na empresa que os objetivos agora são esses, e motive-os a deixar o que aconteceu para trás e voltar ao foco de sempre. Você deve esperar que suas equipes fiquem em estado de choque por um determinado período de tempo, mas é responsabilidade do administrador fazer com que rapidamente as coisas voltem ao curso normal - afinal somente assim o benefício do corte de custos poderá fazer algum sentido.

Essas dicas são todas interessantes, mas acho que nem são mais necessárias. Afinal, as bolsas já estão de volta ao nível pré-crise, e é isso que importa certo?

* Nota: Algumas das dicas acima foram adaptadas a partir das dicas sobre layoff de Jason Calacanis, publicadas em 2008.
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