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1.26.2009

T&D: Como o psicodrama ajuda a formar líderes

Práticas de treinamento vivencial auxiliam empresas a desenvolver competências comportamentais de seus colaboradores

Por: Andreas Müller - Revista Amanhã

Dinâmicas de grupo, jogos de psicodrama e outras atividades lúdicas sempre foram ferramentas importantes em processos de seleção e contratação. Afinal, são elas que permitem identificar traços psicológicos do candidato não verbalizados durante a entrevista formal. Algumas empresas, contudo, estão começando a utilizar essas atividades para atingir outro objetivo: o de desenvolver competências comportamentais de seus funcionários - especialmente nas áreas de liderança e motivação.

A tese é de que os treinamentos convencionais, baseados na transmissão de conhecimentos abstratos, são incapazes de produzir uma mudança efetiva de atitude nos funcionários. Daí a necessidade de se fazer um treinamento prático, no qual as pessoas tenham condições de vivenciar problemas do cotidiano e desenvolver as habilidades comportamentais almejadas pela organização.

A psicóloga Meiry Kamia é um dos profissionais que vêm trabalhando com esse tipo de atividade. Diretora da consultoria Human Value, de São Paulo, ela desenvolveu um programa de "treinamento vivencial", que permite às empresas aprimorar as competências comportamentais de seus funcionários. "Procuramos fazer a ponte entre o conhecimento teórico, acumulado nos processos de qualificação formal, e o cotidiano da empresa", resume ela.

Muitas vezes, diz Meiry, o funcionário não consegue colocar seus conhecimentos em prática devido a bloqueios de personalidade. "O sujeito vai para o treinamento e aprende que deve ser um líder servidor. Mas ele não sabe como agir dessa forma. Ou pior: tem medo de agir assim e perder o comando. Isso ocorre porque ele nunca vivenciou nenhuma situação de liderança servidora", ilustra a consultora.

No treinamento vivencial, busca-se justamente contornar esses bloqueios psicológicos de maneira prática. O sistema funciona tal como uma cabine de simulação de vôo, na qual o aprendiz de piloto tem a chance de exercitar seus conhecimentos sem a pressão de conduzir uma aeronave real. No caso, busca-se colocar os funcionários diante de situações e dilemas semelhantes àqueles que serão enfrentados no dia-a-dia da empresa.

O processo envolve não só o psicodrama, mas também colagens, modelagens e outras atividades que levem as pessoas a se defrontarem com suas dificuldades comportamentais. "Faz-se um aprimoramento focado na personalidade", diz Meiry. A prática se baseia no conceito de sincronicidade, de Carl Jung. Mas não tem nada a ver com psicoterapia. "Muitas vezes, as pessoas acabam descobrindo durante o treinamento que precisam fazer a terapia. Nesse caso, recomendamos que se busque o tratamento, mas não nos responsabilizamos por ele", afirma Meiry.

Um programa de imersão em treinamento lúdico dura aproximadamente três dias.
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