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1.15.2009

Mais globalizadas, empresas chinesas buscam estagiários de outros países

Por: Kathrin Hille - Financial Times

Quando Li Da tinha nove anos, sua família mudou de Pequim para o Canadá. Posteriormente, ele cursou a Universidade Columbia, em Nova York, por um ano. Hoje, Li mora novamente na China, onde abriu sua própria empresa. E entre os 30 e poucos funcionários da DeyaTech, uma fornecedora de softwares de gerenciamento de documentos eletrônicos, ele espera repetir sua própria mentalidade globalizada recebendo estagiários de outros países.

Li não está sozinho. Cada vez mais companhias fechadas da China começam a buscar intercâmbios internacionais, ou a expor seus funcionários a uma experiência mais internacionalizada. Num sinal poderoso disso, a Aiesec, organização estudantil internacional que ajuda a conseguir estágios internacionais, registrou um rápido crescimento desde que estabeleceu uma agência na China há seis anos.

Com a notável exceção da Lenovo, a quarta maior fabricante de computadores do mundo que se internacionalizou com um "big bang" através da aquisição dos negócios de PCs da IBM, a China corporativa ainda está muito distante de países como o Japão, Coréia do Sul ou Taiwan, onde estrangeiros estão conseguindo assentos nos conselhos de administração das empresas, ou até mesmo os cargos de presidentes.

No entanto, há sinais claros de que isso vai mudar. A Aiesec recrutou mais de 200 parceiros corporativos - companhias que aceitam estagiários estrangeiros, a maioria delas no setor industrial. Para Li, procurar estrangeiros para trabalhar em sua empresa foi um passo muito natural. "Esperamos que eles tragam uma mentalidade mais aberta e globalizada para o resto dos funcionários. Isso ajuda a desenvolver o tipo de cultura corporativa que queremos", afirma ele. Até agora, a DeyaTech já teve um estagiário indiano e um francês. "Um deles influenciou as pessoas com seu jeito, pois era muito expansivo. Nós o colocamos no departamento de vendas", diz Li. "O outro era muito metódico e os funcionários aprenderam muita coisa com ele sobre desenvolvimento de clientes e treinamento". Ele acredita que muitas outras companhias iniciantes, motivadas pelas personalidades e experiências de seus fundadores, estão curiosas em relação a outras culturas e desse modo deverão se abrir mais em relação aos estagiários estrangeiros.

Para algumas das companhias maiores, a motivação é bem diferente. "Quando saímos a campo com o objetivo de conseguir mais parceiros corporativos, o argumento mais eficiente é que seus concorrentes já estão fazendo isso", diz Alex Wang, diretor de novos intercâmbios da Aiesec China. A Huitongwang, uma plataforma da internet, tomou a iniciativa depois de descobrir que a Alibaba, a maior companhia de comércio eletrônico business-to-business da China, já havia aderido. Quando os estagiários chegam, sempre embarcam em uma aventura, pois se trata de um país que ainda não recebe facilmente os estrangeiros como parte da sociedade. Isso foi sentido pela Advantech, uma fabricante de computadores industriais de Taiwan com uma grande presença na China, que já recebeu vários estagiários estrangeiros.

"Quando nosso primeiro estagiário chegou a Pequim, ele foi barrado por nossos guardas no portão da fábrica e não houve meio de eles permitirem sua entrada, uma vez que ele não conseguia explicar quem era e o que queria", lembra Cong Wei, diretor de recursos humanos da Advantech em Pequim. "Por coincidência, um de nós olhou pela janela e o viu, e assim ele conseguiu entrar". Parte da dificuldade é o idioma. Normalmente, os estagiários apresentados pelo Aiesec e outros programas parecidos não conhecem mais que rudimentos do mandarim e a proficiência do inglês não está disseminada nas empresas chinesas. Assim, pode ser um desafio encontrar o lugar certo para um estagiário trabalhar e ajudá-lo a provocar um impacto sobre os demais funcionários.

Para evitar esses problemas, a Advantech iniciou lentamente seu programa de estagiários, com um primeiro indo do Canadá para Pequim em 2006, e outros estagiários sendo encaminhados para suas unidades de Xangai e Shenzhen um ano depois. "No começo, as pessoas aqui ficavam realmente intimidadas e não sabiam como se comunicar com os novos colegas", diz Cong. "Eles precisam ser encorajados. Tínhamos que dizer a eles que queríamos que interagissem".

Agora que já ganhou um certa experiência, a companhia está ampliando o programa com dois americanos em Pequim e mais um estagiário da Costa Rica em Xangai. Há também planos de se ter estagiários estrangeiros em Xian, uma grande cidade do interior chinês que é bem menos internacionalizada que a capital e as províncias costeiras.

No futuro, ela pretende trazer estagiários de países com os quais muitos chineses têm uma exposição menor ainda, mas que são mercados importantes para a companhia, como o Brasil e a Rússia. Uma vez que esses programas estiveram bem estabelecidos, o impacto poderá ser enorme, especialmente nas empresas menores. Na Best88, uma companhia iniciante de softwares baseada na província sulista de Guangdong, um estudante indiano de administração que foi aceito como estagiário conseguiu um emprego permanente. Sua tarefa agora é desenvolver o mercado em seu país natal. "Antes, éramos voltados somente para o mercado doméstico", diz Jim Guo, o fundador da companhia. "Mas agora percebemos que existe o mundo inteiro lá fora".
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