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1.15.2009

Após retração no fim de 2008, emprego deve ficar estagnado em 2009

Por: Sílvio CrespoUOL Economia

Nos meses de maior desespero nos mercados mundiais no ano passado, outubro e novembro, a criação de empregos no Brasil passou primeiro por uma desaceleração (geração de apenas 61 mil postos) e, depois, por uma redução (de 40,8 mil, a primeira desde 2002).

Para 2009, no entanto, as previsões de centrais sindicais e de especialistas estão mais para estagnação do que para contração.

A projeção do governo é que seja criado 1,8 milhão de empregos neste ano, segundo afirmou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. De janeiro a novembro de 2008, houve geração líquida (diferença entre o total de contratações e o de demissões) de 2,1 milhões de postos de trabalho.

"A expectativa é de alerta. Temos esperança de que seja, no mínimo, mantido o nível de emprego. Mas se as ações do governo não forem suficientes para manter o consumo e o crédito, o impacto será maior", afirma Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores). "Se os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do crescimento) forem mantidos, teremos criação de emprego muito grande nas indústrias naval e civil", acrescenta.

A construção civil é, até agora, o único setor em que se verificou "queda brusca" no nível de emprego, segundo o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna. "O resto é ameaça", completa o sindicalista, em referência ao setor automotivo, que anunciou férias coletivas.

"Vai ser um ano mais de estagnação do que de recuo", avalia o economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios. Ele prevê um "leve crescimento do desemprego" no primeiro semestre, mas não por corte de empregos, e sim por falta de contratações.

"O número de demissões não deve superar o de contratações. Mas a criação líquida de vagas não vai superar o volume de mão-de-obra que entra no mercado e trabalho", analisa.

Multinacionais

As empresas multinacionais que estão passando por dificuldades em seu país de origem não são motivo para preocupações no Brasil, na avaliação de Alcides Leite. "Não acredito que as multinacionais façam demissões em grande quantidade devido a problemas no exterior. Se elas percebem que o mercado local tem condições de absorver a produção, elas não vão cortar."

"A GM do Brasil não está em condição tão ruim quanto a dos Estados Unidos. Mesmo que a matriz entre em concordata, as operações no Brasil devem prosseguir; elas são independentes nesse aspecto", afirma Leite.
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